segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

BLAME IT ON THE RAIN

Impressões sobre ‘o show da década’

Eu vi Madonna de perto. Tão de perto que talvez nunca mais a veja dessa forma. E isso, por si só, de repente já tenha valido o show de ontem. Mas o que ficou de saldo, o que eu vou me lembrar, pode ser diferente, e este diário serve justamente pra reler daqui a dez anos e recordar a noite.
Até a entrada no Maracanã, todos os pontos foram positivos. Metrô tranqüilo, filas longas porém ágeis e pessoas calmas. Excetuando-se, claro, os vendedores de capas de chuva que gritavam a cada 5 segundos que a chuva ia começar. Seria um presságio?
Entramos no estádio, tudo correndo às mil maravilhas. Um segurança avisava que a pista VIP tinha um banheiro exclusivo, o qual não cheguei a usar. A lojinha de merchandising Madonna estava vazia e foi fácil comprar uns souvenires. O atendente me foi cortês e, já de sacola em punho, era hora de garantir meu lugar em meio a tantos espectadores. Tudo estava indo bem demais. Foi quando a chuva começou.
Poucos minutos depois, apagavam-se as luzes e aquele grito de multidão se formou. Mas achei um grito fraco, como se fosse um show de, sei lá, Maria Rita.
A vinheta da fabricação dos doces começa e acho o som baixo. Quando Madonna surge no palco, sua voz não chega até a mim. Faltam ajustes, penso eu. Daqui a pouco consertam. A música vai avançando, Madonna está tensa com a chuva molhando o palco e os bailarinos também. Eles hesitam em dançar. Os equipamentos estão cobertos com plásticos.
A platéia, por sua vez, não sente a energia e não a manda de volta. Pessoas falando ao celular, saindo pra comprar bebidas o tempo inteiro, pessoas de costas para o palco conversando. Penso se aquelas pessoas realmente pagaram R$ 720,00 para estar ali. Não têm respeito nem pela Rainha? Em dado momento, depois de tanto retirar e chutar trecos que eram atirados ao palco, ela gritou: “Stop throwing shit on my stage.”
E o show prossegue assim, com Madonna dublando a maior parte das músicas agitadas (Into The Groove, She’s Not Me, Heartbeat, Give It 2 Me, etc...). Mesmo nas músicas em que seu microfone estava aberto para cantar por cima das bases pré-gravadas, sua voz estava enterrada na mixagem e pouco se conseguia ouvir. Todo mundo sabe que a chuva abafa o som. Faltava volume, faltava clareza. Mas com certeza técnicos de som caríssimos como os dela saberiam minimizar estes problemas. Não o fizeram. Muitas vezes eu só sabia o que estava acontecendo, sonicamente, graças à mixtape do No Caso.
Quando o som melhorou um pouco, a platéia respondia melhor, e Madonna se alimentava disso e aí sim, dançava mais e cantava melhor. Foi o caso de momentos brilhantes como You Must Love Me (em que ela terminou com I Must Love You), Like A Prayer (o ponto mais alto do show) e Give It 2 Me.
A chuva não deu um só segundo de trégua e soluções mambembes foram criadas, como Madonna sob sombrinha (Miles Away, Doli Doli) ou algumas dançarinas de She’s Not Me também portando guarda-chuva. Várias vezes a ação no palco era distraída por pessoas da equipe limpando com rodos e panos a parte molhada da passarela. Até Guy Oseary, o empresário da diva, deu pinta no palco.
Em determinado momento, a platéia do Maracanã começou a gritar Mengo! Mengo! (Juro, quem começa esses gritos?) Madonna não entendeu e achou que era o grito de estádios da Itália. Alê-eô, Alê-eô. Para mostrar que continuava no comando, tentou fazer graça com a chuva e criou uma musiquinha improvisada. “Fuck this rain, it has to go. Alê-eô, ale-eô.” Pediu pra gente repetir, e a gente atendeu. Isso é uma grande diferença do show de 93 pra este. As pessoas falam mais inglês hoje do que há 15 anos, e podiam interagir mais. Ela perguntava “You don’t mind the rain?” e as pessoas “Noooo!”. “Do you want me to go on?” E a platéia “yeeeees!” No Girlie Show era tudo a mesma resposta indefinida.
Mas se as pessoas falam melhor inglês em 2008, isso não se refletiu no coral que o público deveria fazer nas músicas. Olhava em volta e ninguém cantava junto nem os mais recentes sucessos, como 4 Minutes e Hung Up. De coro mesmo, o Maracanã só a acompanhou integralmente em Like A Prayer.O Sticky & Sweet é um belo show, talvez o melhor de Madonna. É colorido, dançante, vibrante. Da metade pro final, melhorou um pouco. Madonna se esforçou mais, mandou beijinhos pra nós, relaxou com a maquiagem, o cabelo, a dança, e se soltou mais, mostrando que realmente é quem a gente espera que seja. Mas a chuva aplacou os ânimos do público e da artista, que fizeram uma performance aquém de sua capacidade. Eu consegui ver tudo, sem ouvir tudo. Mas o DVD tem tudo pra ser incrível.

2 comentários:

Fê Resende disse...

E BRITBRIT NO TELÃO? VC NÃO TIROU FOTO? MOOOOOOSTRA?

Anônimo disse...

por isso q num fui !

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